Hipertensão arterial em idosos: impacto sobre a qualidade de vida e importância do diagnóstico precoce e tratamento correto
Você sabia que cerca de 65% da população adulta, com mais de 60 anos, é hipertensa?
Segundo dados divulgados pela Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), entre 35% e 50% dessas pessoas desconhecem o diagnóstico. Pensando nisso, criamos este artigo explicando as principais características da hipertensão arterial e como essa doença pode impactar na qualidade de vida dos idosos.
O que é a Hipertensão arterial?
Hipertensão Arterial é uma doença crônica que aumenta os níveis de pressão do sangue nas artérias de maneira anormal, que ocorre por fatores genéticos, ambientais e sociais.
Devido ao avanço da idade, o risco de desenvolver a hipertensão arterial se eleva, uma vez que com o envelhecimento ocorrem alterações em nosso organismo que favorecem o aumento da pressão arterial. Por isso, é necessário atenção redobrada para a pressão arterial em idosos.
Fatores de risco
Veja abaixo alguns fatores de risco que favorecem o aumento da pressão arterial:
- Idade mais avançada;
- Entre as pessoas acima de 65 anos, o sexo feminino é mais propenso a ter hipertensão arterial;
- Sobrepeso e obesidade, assim como uma dieta com excesso de sal;
- Síndrome de apneia do sono e o uso frequente de anti-inflamatórios e corticoides por via oral;
- Sedentarismo e a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas;
Considera-se um consumo excessivo de álcool, no caso das pessoas do sexo masculino, a ingestão de 600ml de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de 60ml de destilados ao dia. No caso das mulheres e homens de baixo peso, considera-se a metade dos valores acima descritos. Destaca-se que idosos frágeis podem ter complicações com as doses acima descritas.
Hipertensão arterial: uma doença silenciosa
Primeiramente é preciso desmistificar a ideia de que dor de cabeça, tontura, zumbido no ouvido, sangramento nasal são exclusivamente sintomas de pressão alta, sendo muito comuns em outras condições de saúde.
A hipertensão é uma doença silenciosa, portanto a grande maioria dos idosos não apresenta nenhum sintoma. É muito raro um idoso apresentar hipertensão de uma hora para outra. Geralmente a pressão arterial eleva-se de forma lenta e gradual, logo os sintomas ocorrem na fase mais avançada, após anos sem tratamento, com complicações como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular encefálico (conhecido pela população como “derrame”).
Deve-se ter em mente que condições como diabetes mellitus, dislipidemia (aumento do nível de colesterol) e obesidade central associadas a hipertensão arterial aumentam o risco dessas complicações.
Como é feito o diagnóstico da hipertensão?
O diagnóstico demanda a avaliação por um profissional de saúde. Considera-se hipertenso a pessoa com duas mensurações acima de 130x80mmHg. Mensurações realizadas no domicílio frequentemente são necessárias para a confirmação do diagnóstico. Uma vez realizado o diagnóstico, a meta de tratamento, ou seja, o valor a ser alcançado da pressão arterial dependerá do estado de saúde da pessoa idosa.
Para idosos independentes e autônomos, o objetivo do tratamento é alcançar a meta do adulto de pressão < 130×80 ou < 140x90mmHg. No entanto, esse objetivo deve ser menos restrito em caso de idosos frágeis e com maior nível de dependência.
Quais consequências da hipertensão arterial?
Quando a hipertensão arterial não é diagnosticada precocemente ou, o tratamento não é seguido adequadamente, a pessoa pode apresentar a fase sintomática da doença. Neste caso, há um risco elevado de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, doença renal crônica (com risco de necessitar de hemodiálise), insuficiência cardíaca, fibrilação atrial (principal arritmia crônica no idoso), demência de Alzheimer e vascular e morte súbita.
Como o tratamento deve ser feito?
O tratamento da hipertensão arterial deve ser feito de duas formas: através de medicamentos anti-hipertensivos prescritos pelo médico assistente e por meio das medidas de mudança de estilo e hábitos de vida. Isso irá depender da condição de cada pessoa.
As medidas de mudança de estilo de vida para idosos são:
- Não fumar;
- Evitar o consumo exagerado de bebidas alcoólicas;
- Manter o peso adequado (evitar o sobrepeso e a obesidade)
- Fazer exercícios físicos regularmente;
- Manter uma alimentação saudável, equilibrada e com pouco sal;
- Evitar situações de estresse.
Além disso, é de suma importância manter a avaliação periódica de saúde pelo médico assistente. As pessoas idosas que não são hipertensas devem ter a pressão arterial avaliada ao menos uma vez ao ano, ao passo que hipertensos bem controlados devem ser avaliados de 6 em 6 meses. As consultas devem ser mais frequentes até que a meta de pressão arterial estabelecida seja alcançada.
